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sábado, 12 de janeiro de 2013

Modelagem de aeromodelos a partir de imagens de um avião

Apresentação da ideia.

Existem muitos construtores de aeromodelos em escala/semi escala que fazem modelos mais ou menos detalhados e fieis ao aviões originais.

Existem muitas técnicas de construção para esses modelos, mas uma dúvida que sempre tive é como eram tomadas as medidas/coordenadas do avião para fazer a escala, já que os aeromodelos mais bonitos baseados em aviões têm formas muito complexas, por exemplo, os caças da 2ª Guerra Mundial.

Comecei a acompanhar os trabalhos de um usuário do E-voo.com chamado Brunnel, a proposta dele é muito simples fazer aeromodelos em escala muito fieis aos aviões originais feitos a mão, com cortador elétrico de isopor.

O que me chamou atenção foram os módulos (par de gabaritos), que representam "fatias" do modelo, pois eram muito bonitos.
Gabaritos de corte para Tucano T27 - autoria Brunnel -  E-voo.com

Brunnel cede os gabaritos já feitos por um valor pequeno e ele projeta um novo por um valor um pouco maior de qualquer avião que você quiser encomendar, se houver interesse mande uma MP (mensagem privada) no E-voo.com para ele nesse sentido.

Adorei a ideia e sempre quis fazer igual, ele explica que usa o Autocad  para fazer os módulos ou "fatias" do avião, se baseando em uma imagem de 3 vistas desse avião.
Os módulos cortados e alinhados - uma palavra: Perfeição! - autoria Brunnel - E-voo.com

Fiquei encafifado com isso e imaginei como fazê-lo, então, pedi ajuda para meu sobrinho Hércules, muito bom com 3D Studio, depois de algumas aulas e três tentativas, consegui modelar um avião em três dimensões a partir de uma imagem de três vistas desse avião.
Modelagem do avião Yak-23 no 3D Studio -  Dá para ver uma séria de elipses representando o modelo
O resultado foi satisfatório, "encapando" a modelagem com "nurbs" surgia uma cópia do avião em três dimensões, mas não consegui extrair as "fatias" para elaborar os gabaritos. Meu sobrinho me deu várias ideias para fazer isso, mas sou muito "noob" no 3D Studio, quiçá, na vida.

Então, depois de pôr meus poucos neurônios para trabalhar tive uma ideia mais simples, usar o Corel Draw para fazer isso. Para mim a maior vantagem foi que os gabaritos básicos já sairiam prontos para trabalhar/imprimir e na escala pretendida.

Usos para essa "modelagem"

Como o Corel Draw não é um programa de criação de objetos em três dimensões, então, uso a expressão modelagem entre aspas.

O importante da ideia para mim foi "criar" um modelo detalhado das formas complexas de qualquer avião para utilizar em qualquer forma de construção que eu pretendesse.

Eu poderia criar os módulos do Brunnel para cortá-los em isopor, poderia fazer cavernas em depron de 5 mm unidas com longarinas retangulares e criar uma pele em depron de 2mm, poderia fazer cavernas em balsa e tabicar o exterior para entelar, ou poderia criar um plug em madeira e massa para fazer um molde para construir em fibra de vidro.

Quer dizer, depois de criar  as formas do modelo em escala, eu posso usá-lo de qualquer maneira.

Vamos a técnica experimental (não cortei nada ainda), então não garanto os resultados, apesar que para mim está tudo certo.

Farei o pequeno tutorial para fazer um P-51 Mustang para a técnica do Brunnel, mas acho que depois de compreendido poderia se fazer qualquer modelo para qualquer técnica.

Fiz os gabaritos enquanto salvava as imagens e escrevia este tutorial, depois de terminado, incluído a elaboração do próprio tutorial, demorei uma tarde e uma noite para terminar tudo, imagino que o trabalho em si teria levado uma tarde.

Clique aqui para baixar o arquivo *.CDR (abre com Corel Draw) produzido nesse tutorial, use como quiser (mencione este blog), mas analisando melhor o resultado, não ficou perfeito, eu particularmente refaria todo o trabalho com calma.

***ACRESCENTADO APÓS A CONCLUSÃO DA POSTAGEM: Refiz com mais calma o trabalho, se quiser baixá-lo Clique aqui para baixar o arquivo *.CDR (abre com Corel Draw). O resultado ficou bem melhor, alguns defeitos não notados no primeiro momento foram corrigidos. Fiz, também, o contorno de dentro, darei dicas na parte II dessa matéria. Use como quiser, desde de que mencionando este blog, não garanto o resultado, porque esses moldes não foram testados.***

Sem as interrupções para escrever o tutorial tenho certeza que ficarei melhor. Também percebi que começando novamente um projeto desses sempre é mais rápido, fácil e preciso fazê-lo. Então estou disponibilizando o arquivo *.CDR para fins didáticos, vou refazer o projeto e disponibilizar, também, os moldes em PDF.

1- Escolher imagens de um avião

Hoje a internete é uma fonte inesgotável de imagens, então vamos, usá-la para pegar nossas imagens do avião a ser "modelado".

Precisaremos de um "desenho de três vistas", como nome diz mostra o avião em todos os lados em escala e precisaremos de várias imagens do avião real em diversos ângulos.

a- Escolha um desenho de três vistas com resolução grande.

Buscar o nome do avião com a frase "3 views", já deve bastar, por exemplo, "p-51 3 views", para encontrar uma imagem de grande resolução com vista de cortes da fuselagem, esses cortes mostram a forma da fuselagem em diversas partes, isto é de especial importância para facilitar a criação dos módulos.
P-51 Mustang - imagem 3 vistas com cortes da fuselagem 

b- Escolha imagens em vários ângulos para entender o desenho de três vistas

Salvar imagens do avião real em diversos ângulos para visualizar os detalhes/peculiaridades do avião são extremamente úteis para qualquer trabalho gráfico.

2- Analisando as imagens.

Não vi muito dificuldade em "modelar" um Fuckie Wulf 190, que tem formas muito mais complexas do que o P-51, que deverá ser mais fácil, mesmo assim o trabalho requer alguma "inteligência espacial" para ser concluído.

Então, estudar as imagens é de extrema importância, o legal é que uma imagem mental do avião vai se formando em tua mente, olha que nunca tive muito desenvolvida essa habilidade.

a- Estudar cada parte do avião

Utilizando as imagens de vários ângulos, sempre confrontando com a imagem de três vistas, estude cada parte do avião, por exemplo, primeiro do bico até o começo do canopy, a parte central, em baixo da parte central, como é o formato da cauda, é elíptico? É achatada, etc.

Nesse momento, também, é de planejar as dificuldades do projeto, partes muitos complexas, reentrâncias, apêndices, etc, também, É IMPORTANTE pensar as SIMPLIFICAÇÕES, explico, só os aeromodelos escalas absolutos tem todos os detalhes do avião original, via de regra nem todos os detalhes do avião serão postos no aeromodelo, muitos detalhes podem ser mais facilmente esculpidos/acrescentados depois, outros simplesmente não serão incluídos


3- Preparando a "modelagem"

a-  No Corel Draw ir no menu arquivo/importar a imagem 3 vistas com cortes da fuselagem do avião;

Você deve ter salvo as imagens em uma pasta ou local facilmente acessível.

b- Dimensionar para o tamanho pretendido

Por exemplo, 1200 mm de envergadura, utilize a ferramenta "Dimensão horizontal e vertical", clicando nas pontos das asas, e redimensione a imagem de três vistas até chegar a 1200 mm de envergadura.
Dimensionando a imagem de 3 vistas do P-51 para 1200 mm de envergadura - note-se que  a ferramente está destacada a esquerda

c- Trancar a imagem

Isto é útil para as próximas etapas, com a imagem selecionada, dê botão direito do mouse e "bloquear o objeto", é um ícone de cadeado.

d- Traçar linhas para isolar os planos de cauda.

Lembra, que mencionei as simplificações, então, uma dessas simplificações é retirar os planos de cauda da "modelagem", cujo objetivo principal é a fuselagem, já que as asas e os planos de cauda, podem/devem ser acrescentados mais tarde por serem mais simples e porque é mais prático.

Usando a ferramenta "Linha de 2 pontos", faça linha guias para "fechar" essa parte da fuselagem.
Detalhe da linha guia - o trabalho será feito até a interseção entre a deriva e o leme - P51 Mustang
Tudo que é feito em uma vista, por exemplo,  "lateral", deve ser feito na outra vista, no caso "de cima".
Detalhe das linhas guia isolando o estabilizador da fuselagem - P-51 Mustang

e- Contornar a forma básica lateral e de cima do avião

Acho isso útil para ajudar a dimensionar as cavernas.

Utilizando as ferramentas "linha de 2 pontos" e "B-sline" desenho a lateral toda.

Primeiro as partes retas com a ferramenta "linha de 2 pontos":
Detalhe das linhas marcando as partes retas imagem lateral - P-51 Mustang

Com a ferramenta "B-sline" terminar de contornar a lateral da fuselagem.
Detalhe do pontilhamento para contornar a lateral da fuselagem - P-51 Mustang

Resultado final da lateral.
Lateral da fuselagem contornada - P-51 Mustang

O mesmo deve ser feito com a vista de cima da fuselagem, somente observando que é melhor contornar só uma metade, que será clonada e espelhada com a ferramenta "Espelhar verticalmente", reposicionada para fazer o outro lado, isto é para garantir a simetria.
Detalhe do contorno de meia fuselagem de cima - P-51 Mustang
 Se todos os passos foram executados corretamente deveremos ter o seguinte resultado:
Contorno das duas vistas prontas, de cima a esquerda  - P-51 Mustang


4- Pensando as divisões dos módulos

Eu medi 920 mm de cumprimento da parte da fuselagem que irá ser trabalhada, então para "modelar" os módulos/gabaritos para cortar em isopor, seriam 18 divisões, considerando que uma placa de isopor tem 50 mm normalmente.

Isto é uma questão estratégica e deve ser analisado os lugares que se deve ter cuidado. Na imagem abaixo aponta esses pontos, o começo da raiz da asa, o começo da cabine, o meio da cabine, a entrada de exaustão e o final da raiz da asa.
Pontos  onde há quebras no desenho e por isso devem ser  obrigatoriamente módulos separados - P-51 Mustang

Depois de algumas tentativas (poucas) consegui arrumar as divisões, lembrando que estou me baseando em divisões de 50 mm (espessura das placas de isopor). Algumas divisões não combinaram, então, deverão ter menos 50 mm.
Mostra as divisões de 50 mm nos pontos estratégicos - P-51 Mustang

Usei a ferramenta "Tabela" para criar as divisões, marquei as divisões e ajustei o largura da tabela para que cada divisão tivesse 50 mm e depois a ferramenta "linha de 2 pontos" para marcar as divisões, para tirar as tabelas que dão um visual sujo.

Fiz o mesmo com relação a vista de cima, lembrando, qualquer que seja a lógica das divisões elas devem ser as mesmas na vista lateral e da vista de cima, senão não ficará correto.
Divisões em pontos estratégicos com foco em divisões em 50 mm - P-51 Mustang

As divisões ficaram com 23 linhas, então, para que não confundir nenhuma linha devemos por um número em cada linha tanto na vista lateral, quanto no vista de cima, lembrando que devem ser na mesma ordem.

5- "Modelando"

Chegou o momento de fazer os segmentos da fuselagem formando assim os moldes.

O primeiro passo é usando a ferramenta "B-sline" traçar o contorno de uma dos cortes da fuselagem, eu escolhi começar com o "c", porque é o mais complexo, faça com bastante pontos. Não esqueça de pressionar "Enter" para criar a "B-sline".
Em azul vê-se  a S-spline contornando o corte "c" - P-51 Mustang

O próximo passo é sobrepor esse corte criado sobre uma das linhas, eu escolhi começar com a linha 9 que fica no meio da cabine, note que não representa o ponto exato do corte "c" na fuselagem ficando próximo, mas não haverá problemas porque vamos acertar isso.
Observe que há uma diferença entre o tamanho do segmento e a linha
Com a ferramenta "Forma" (apertando F10) vamos editar o ponto do final para ficar do tamanho da linha 9.
O segmento está do tamanho da linha 9 - P-51 Mustang
Apertando "Ctrl" e deslizando lateralmente o segmento até que a parte que representa a asa fique alinhada com a linha 9, isto é para acertar a altura dessa parte com o encaixe da asa.
Detalhe do encaixe da asa alinhado com a linha 9 - P-51 Mustang
Não havia mencionado mais criei no Tracfoil uma nervura de perfil NACA 2412 com a corda da raiz da asa para servir de guia, exportei em DXF e importei no Corel Draw, pondo no local da asa para servir de guia.
Detalhe do segmento alinhado com a altura da asa  - vê-se o formato do perfil alar em preto- P-51 Mustang

Para fazer o alinhamento do encaixe da asa com a altura do perfil utilizei novamente a ferramenta "Forma" editando cuidadosamente para ponto, apesar de um pouco trabalhoso é muito fácil e intuitivo "puxar os pontos para posição acertando as curvas e retas.

Nesse ponto precisaremos ajustar o segmento a outra vista, porque a primeira parte ajustamos a "altura" do segmento, agora devemos ajustar a largura, dependendo do segmento ficará mais fácil utilizar a vista frontal ou a de cima, mas sempre será necessária conjugar duas vistas para ajustar corretamente.
Acertando o segmento com a vista frontal - P-51 Mustang

Segmento já corrigido utilizando a vista frontal - P-51 Mustang


Devemos pegar o meio segmento que acabamos de fazer e pô-lo na linha 10 e começar os passos anteriores para dimensionar. Isto deve ser repetido entre as linhas 6 a 13 (segmentos da asa).

Felizmente as outras partes do avião são mais fáceis de fazer, então por aproximação usaremos os cortes  da fuselagem "a" e "b" para fazer o bico e os cortes "d" e "e" para fazer a cauda.

Um detalhe melindroso foi a exaustão abaixo da asa deve ser feito utilizando a vista frontal.

-
Segmento 11 - levando em consideração o exaustor abaixo da asa - P-51 Mustang

Note que não ficou igualzinho, o que ficou muito diferente foi o encaixa da asa, isto se deve ao fato de ter usado um perfil alar diferente do original (NACA 2412) mudando a altura do encaixe.

Depois de terminar com os segmentos 6 a 13 (parte da asa), teremos que fazer a seção do bico, então, devemos fazer o corte "b".
Contornando o corte "b" da fuselagem para os segmentos 5, 4 e 3 - P-51 mustang
Nesse ponto vamos utilizar a "vista lateral" e a "de cima" para fazer o bico, que será sensivelmente mais fácil.
Detalhe do redimensionamento do segmento 5 - P-51 Mustang
Neste ponto é mais fácil, bastou ajustar a largura do segmento puxando a alça de redimensionamento para coincidir com a largura da linha 5, que deverá ser centralizada com a linha.

Repetir os passos com os outros segmentos do bico até chegar no segmento 1 (bico) que será feito com a ferramenta "Elipse".
Segmento do bico - uma elipse - P-51 Mustang

Para fazer os segmentos da cauda usaremos o corte "d", que felizmente é, também, mais simples. Para dimensioná-los a altura correta basta alinhar com a respectiva linha de referência na vista lateral e puxar a alça de redimensionamento para bater com a altura daquele local.
Segmento da cauda por ajustar - P-51 Mustang
Depois do ajuste.
Segmento da cauda ajustado - P-51 Mustang

Se tudo deu certo deveremos ter uma série de segmentos ou meios moldes parecidos com esses abaixo.
Segmentos dos contornos da fuselagem do P-51 Mustang

6- Criando segmentos de transição

Nos lugares onde há uma mudança brusca no desenho, haverá uma incorreção se não forem feitos segmentos de transição.

Felizmente só teremos esse problema no exaustor, se não criarmos um segmento de transição nesse ponto, haveria um corte em ângulo e não um corte reto naquele ponto.

Vamos duplicar o segmento anterior ao exaustor para fazer a transição pondo sobre o a linha do exaustor e não incluí-lo, quer dizer, faremos o segmento na mesma altura do segmento anterior a ele.
Detalhe do segmento de transição - P-51 Mustang
7- O que fazer com isso?

Bom grande parte do trabalho já foi realizado, dá para ver que ficou bem parecido com o original.

Quem já trabalhou com programas como Corel Draw, já terá inúmeras ideias, pensei este tutorial para quem como eu tem poucos conhecimentos nesse software.

Precisamos clonar, espelhar e criar os moldes fechados, depois teremos que pensar a parte de dentro dos moldes para aliviar peso e deixar passar os elementos internos do aeromodelo, baterias, receptor, mesa de servos, ESC, motor, etc e fazer a "arte final" nos moldes como linhas guias e anotações.

Temos que pensar, também, como vamos alinhar os pares de moldes para que possam fazer o corte corretamente.

Isso deve discutido na parte II 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Parapente R/C do Aykon

Hoje lembrei como é bonito ver os parapentes (full-scale) passando pelo Aero-Xerém, vindos de Petrópolis, se não me engano, e indo pousar em uma fazenda próxima, em Xerém mesmo.

Ver aquelas velas com cores fortes flutuando nos ares como anjos, pegando térmica com e como os urubus, é lindíssimo.

Então "tive" a ideia de ter um parapente R/C. Me pareceu um projeto perfeito para construir algo para voo planado.
Parapente na térmica com urubus - fotografia tomada no Aero-Xerém em 18/02/2012

Já havia visto na Hobbykink.com um velame de parapente/paraglider bem bonito chamado "HobbyKing Paraglider Parafoil 2.15m" (clique no nome para acessar o link).

Eu mencionei "bonito" porque nada entendo de velames de parapentes, olhando as fotos do produto da HK, me pareceu que o alongamento (aspect ratio) do velame é muito menor comparado com a fotografia do velame acima, se funcionar como nas asas rígidas, isto diminui a eficiência aerodinâmica.  Comprei mesmo assim para testes.

Imaginei que alguém já havia feito isso, então pesquisei no Google e descobri que paraglider e/ou paramotor (com motorização, é óbvio) era muito comum, mas parapentes (sem motor) era raro. Acabei encontrando este projeto:

 R/C Parapente do Aykon duas linhas.

Um jovem rapaz desenvolveu o projeto do velame ao piloto. Que raiva que fiquei desse "muleque" fazer um negócio tão legal assim e ainda pegar lift com ele, que raiva!
É brincadeira, o projeto ficou maravilhoso e voa muito bem. Vendo os vídeos do canal dele no Youtube se percebe que o parapente teve ótima receptividade e muitas propostas de compras.

Pode-se ver que o modelo voa muito bem:

Teve até reportagem sobre ele na TV:

O site dele em construção é o Parapentes Aykon rádio controlados.

Procurando no E-voo.com encontrei dois tópicos com informações importantes sobre como configurar um parapente/paraglider:

http://www.e-voo.com/forum/viewtopic.php?t=24244

http://www.e-voo.com/forum/viewtopic.php?p=1072147

Vendo filmes e vídeos sempre tive curiosidade de como se manobrava um parapente, a imagem abaixo mostra como é:
Imagem tirada do E-voo.com - comandos parapente R/C - A esquerda posições dos servos - direita comandos no rádio


Outros vídeos do Youtube sobre o assunto:

Projeto start-zero italiano. O site dele: http://www.parapendiorc.it/


Nesse vídeo mostra como se lança um parapente R/C.

Finalizando: como um projeto futuro, deve ser bem interessante testar a ideia.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Visita ao Aero-Xerém em 14/07/2012

Nesse dia fomos eu, meu primo Pedro e minha sobrinha Elisa visitar o Clube de Modelismo Aero-Xerém.

O que logo chamou a atenção foi este helimodelo Logo 600 elétrico com bateria 10S. É muita potência!
Logo 600
A habilidade do Luís é inquestionável, deu um verdadeiro show no Aero-Xerém:


Este Flip 3D do Bruno/Jacque.
Bruno e seu Flip 3D

Bruno é um exímio piloto:


Outro voo dele.


Outro modelo muito bonito é este: 
Zoom-Zoom - Mazda - do Jacque


Este aeromodelo é realmente pesado, no vídeo dá para ver a dificuldade do Bruno em levantá-lo, mas munido com um motor 2T 190 voava com facilidade.

Dê uma olhada no tamanho desse motor:
Detalhe do motor glow 190 do Zoom-Zoom

O Ney Cruz (construtor da MaisHobby) testou uma asa voadora bastante rápida. Vejam o designer:
Zagi da MaisHobby
Zagi veloz



A gravação não ficou boa, mas dá para ver a velocidade acalçada. O Ney me disse que projetou a asa para velocidade, enflexamento, ponta das asas e motorização, tudo pensando na velocidade.


Slideshow das fotos do dia:

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Motor de aeromodelo - perigo real e imediato

Dizer que as hélices/motores de aeromodelo são perigosos é algo até batido, bom pelos menos até se ver as lesões provocadas por uma hélice no corpo humano.
Ferimento na sola do pé do Hércules causado por hélice de aeromodelo elétrico

Este acidente, até inusitado, demonstra que facilmente um aeromodelo pode causar um ferimento. 

Segundo meu sobrinho Hércules, aconteceu assim: Ele estava testando a mixagem de um modelo elétrico (o Cobra Coral) para um projeto futuro, realmente brincando com os recursos de mixagem do Turnigy 9X dele sem muito compromisso com um uso prático para aquele modelo específico.

Ele estava sentado no chão, encostado na parede e descalço, com o modelo a sua frente com a hélice virado para ele.

Depois que ele testou o que queria nas mixagens dos comandos, inclusive no motor, ele pediu para uma pessoa que o estava assistindo para desconectar a bateria, mas a pessoa não desconectou.

Mesmo depois do teste, ele estava passeando pelos menus de mixagem do seu transmissor, quando ativou o recurso qualquer, QUE ESTAVA COM OS COMANDOS INVERTIDOS, dando inadvertidamente comando TOTAL de acelerar ao modelo (que ainda estava ligado), o aeromodelo avançou para o pé dele, que pela posição (sentado encostado na parede) veio a acertar a sua sola do pé causando a lesão da foto acima.


Algumas dicas colhidas na internete (em vários sites) e algumas dicas minhas com relação ao uso seguro de hélices:

1- Antes de instalar a hélice no modelo deve-se lixar as bordas da hélice com uma lixa fina, pois as bordas vêm afiadas de fábrica. Isto é necessário para evitar cortes nos dedos e mãos quando  manipulando a hélice.

2- Mantenha o stick de comando do acelerador sempre abaixado, quando o rádio for ligado isto evita um avanço inadvertido do aeromodelo;

3- Tome cuidado ao mexer nas mixagens ou inversão dos comandos do rádio, pois se o canal do motor estiver invertido a aceleração do motor será total, quando o stick do motor estiver abaixado. Igualmente se houver atribuição de outro stick ao canal do motor,  a aceleração estará em meia potência. Então mantenha o aeromodelo em segurança nesse sentido.

4- Dê partida no motor glow sempre com starter elétrico ou um bastão de partida, NUNCA COM A MÃO, pois há risco de ser atingido pelo rebate da hélice.

5- Use postes de contenção de aeromodelos ou peça a alguma amigo que segure com os pés quando dar partida no motor ou for testar os comandos, há sempre perigo do modelo avançar.

6- Não permita que pessoas fiquem a pouca distância a frente de um aeromodelo quando estiver em funcionamento, a distração delas pode gerar acidentes.

7- IMPORTANTE! Opere o aeromodelo estando ao lado dele, um pouco atrás da linha da hélice, NUNCA A FRENTE DO AEROMODELO! Pois sempre há enganos e se outras providências de segurança falharem isto salvará você de ser acertado (ou acertar) a hélice. É óbvio que para dar partida no motor você se postará a frente do aeromodelo, mas após isto fique ao lado/um atrás.   

8- O acidente ocorre com algo que não se prevê, então, antes de operar o motor do seu aeromodelo, dê uma olhada ao redor, e pense o que pode dar errado e de maneira ativa tome providências para diminuir as chances de acidente




sábado, 7 de julho de 2012

Oficina de aeromodelismo - parte II - ferramentas comuns

Uma oficina ou ateliê de aeromodelismo é imprescindível para reparar, montar e construir aeromodelos satisfatoriamente.

As ferramentas, instrumentos, máquinas e aparatos necessários, e quantidade, complexidade e especialidade deles, vão depender daquilo que você se propõe fazer, do dinheiro disponível e de sua vontade

Neste post apresentarei minha pequena experiência na organização de uma oficina, separando as ferramentas/congêneres pela aplicação/função para uma determinada proposta, então, por exemplo, podemos montar uma mini-oficina de construção de aeromodelos de isopor/depron. 

Mas aqui não quero mostrar somente para que serve uma dada ferramenta em geral, mas sim seu uso ou usos específicos para cada uma dessas propostas/aplicações, é óbvio que não há receitas prontas e há muitas formas de fazer bem uma mesma coisa. Minha empreitada pretensiosa é dar uma base mínima para aqueles que vêm atrás...
Oficina de aeromodelismo - minha bancada


Farei uma série de posts abordando propostas e as respectivas ferramentas/instrumentos/máquinas:

1- Oficina de aeromodelismo - parte I - isopor/depron


I- Ferramentas comuns - o que é indispensável ter

1- Alicates

1-a: Alicate universal
Alicate universal - muito útil para qualquer trabalho

Ferramenta muito útil quando há necessidade em trabalhar com arames de aço, usados na lincagem (ou linkagem) dos comandos, bem como para fazer trens de pouso, ou lâminas de alumínio, também, usados em trens de pouso ou qualquer outra peça que seja necessário segurar/dobrar.

Um exemplo dos usos do alicate universal é para fazer lincagem dos ailerons, conhecido como torque rod.
Alicate universal dobrando arame para fazer linkagem de ailerons
Linkagem do ailerons pronto

Estas imagens foram retiradas desse excelente tutorial do E-voo.com: (clique aqui)


Na verdade, isto é óbvio para aqueles que fazem algum trabalho em mecânica, o alicate universal é muito versátil e útil. Abaixo figura com a descrição das partes de um alicate universal

O estriado (N.º 1- da figura acima) é possível dobrar precisamente em até 90º ou segurar uma pequena peça firmemente. 

A mandíbula (N.º 2- da figura acima) além de segurar, eu uso para desentortar arames mais grossos, por exemplo, do trem de pouso, onde o estriado seria inútil. A ideia é usar a mandíbula como alavanca, dosando força necessária para ir desentortando (ou entortando, se for o caso) o trem de pouso, conforme a necessidade.


1.b- Alicate de bico
Alicate de bico 

Alicate de bico é usado para desencapar fios e segurar firmemente pequenas peças. Com alguns elásticos pode se converter em um alicate de pressão para segurar porcas ou outras peças pequenas, com o bico fino é possível chegar a lugares de difícil acesso.


1.c- Alicate de corte
Alicate de corte
Alicate de corte junto com o de bico servem para desencapar fios. Mas é útil para cortar arames e varetas de fibras de vidro usadas para lincagem ou como reforço estrutural.

2- chaves de fenda/philips
Chaves de fenda / philips - três são recomendadas

Recomenda-se adquirir pelo menos três, uma pequena, uma média e outra grande. Serão usadas em muito parafusos, como por exemplo, para prender motores em seus devidos montantes; servos as suas mesas.

A dica é encapar a haste de metal da chave de fenda/philips para proteger um objeto delicado como um motor, pois o fato da haste metálica passar próximo ao bloco do motor pode danificá-lo.  


3- Ferro de soldar

Ferro de soldar - solda de estanho

O aeromodelista precisa muitas vezes fazer pequenos trabalhos de solda, como por exemplo, soldar conectores de baterias/ESC/motores elétricos. Na verdade sempre é útil saber soldar, então, se não souber, veja o tutorial e as explicações abaixo.

Vídeo tutorial de como soldar fios: (clique aqui)

Explicações técnicas de como soldar: (clique aqui)


4- Grosa/limas e congeneres

4.a- Lima: são usadas para desbastar metais, mas pode ser usados em madeira, bambu, ou qualquer outro material. 

Útil tanto na própria construção de modelos, de mil maneiras, tanto quanto para montar qualquer aparato/utilidade na própria oficina, como por exemplo, desbastar um dente em um arame para permitir um melhor aperto de um colar.
Formatos de lima

Como visto na imagem acima, há diversas formas. Eu, particularmente, acho mais útil a reta de um lado e meia cana do outro, pois poderá ser usada em quase todas as circunstâncias. 

4.b- Limas agulhas
Conjunto de lima agulha
Limas agulhas são importantes por dois motivos, primeiro, porque são delicadas o suficiente para trabalhar com materiais frágeis, como balsa/madeiras leves, segundo, porque são extremamente precisas em seu manuseio.

Lima agulha plana - desbastando um degrau no bambu para emendá-lo

O dente feito com a lima agulha plana

Lima agulha redonda - útil para abrir espaços para passar fios ou alargar um furo

Podem ser usados para retificar uma peça de madeira para permitir o encaixe de um servo, por exemplo.

5- Chaves allen

Necessárias para abrir parafusos usados em diversas partes de um aeromodelos e máquinas, como por exemplo, motores, lincagem, etc.

É necessário um jogo de chaves polegadas (só vendidas em lojas especializadas) e chaves milímetros (mais comuns), pois não há normatização dos diversos parafusos usados.
Chaves allen

DICA: Essas ferramentas sofrem desgaste, principalmente aquelas compradas em lojas de "1,99", usando uma micro retífica, dá para recuperar cortando a ponta desgastada, pois toda a extensão da ferramenta é sextavada.

6- Arco de serra

Arco de serra - cortando um tudo
É muito útil, necessário para cortar os mais diferentes materiais, este tipo de serra é pouco usada na construção de aeromodelos propriamente dito, mas é útil de modo geral para cortar peças de madeira/alumínio/aço, e mais especificamente para cortar vareta aço para trem de pouso, por exemplo.

Existem serras apropriadas para cortar madeira balsa, encontradas em lojas especializadas em modelismo.
Serra para balsa Revell 52 dentes - mais apropriada para balsa

Ferramentas para cortar balsa / materiais leves - foto: post do Alvaro Sala no E-voo
Na foto acima da esquerda para direita: a) uma tesoura bem afiada para cortar balsa com pouca espessura; b) tesoura comum para cortar gabaritos de alumínio, lixas e gabaritos de cartolina; c) serra para cortar em curvas, muito precisa e delicada; d) gillete para cortar entelagem (só usem gillete para entelagem!); e) serra comum com empunhadora, mas delicada e precisa do que a comum; f) estilete e x-acto ou faca de modelista.

7- Paquímetro
Paquímetro


Muitos pontos não são medidos com precisão mesmo usando uma boa régua, por exemplo, o diâmetro de um tubo, então o paquímetro se torna necessário, até mesmo os de plástico leem com mais precisão do que uma régua.
Paquímetro - descrição

Observe que o paquímetro possui várias partes capazes de medições, por exemplo, a haste de profundidade que é usado para quão profundo é um furo.

Observe na imagem abaixo como usar um paquímetro:
Paquímetro - como usar para fazer medições precisas


8- Morsa de bancada


Necessária para segurar peças firmemente para que sejam dobradas, limadas ou soldadas.
Morsa de bancada - segurando guia redonda

Vale muito a pena o investimento em uma morsa de bancada, porque ela pode ser uma mão na roda em mil situações diferentes. 

9- Gabarito para cortes em madeira 90 e 45º

Gabarito de corte 45º e 90º

Gabarito de corte 45º e 90º - os lados são perfeitamente esquadrinhados

Gabarito de corte 45º e 90º - a peça encostada com segurança na lateral - corte feito através das janelas

Gabarito de corte 45º e 90º - o corte ficar perfeitamente com 90º graus

Uso para cortar peças esquadrinhadas para montar alguma coisa, como por exemplo, um suporte. 

Sem esta ferramenta você passará muita raiva na hora de cortar peças esquadrinhadas. 


10- Martelo leve

Martelo leve 
Além de usado para fixar tachas e alfinetes firmemente, é usado para gentilmente desempenar peças de metal fino.


11- Furadeira e brocas 

Provavelmente você tem essa ferramenta em casa. Então a dica que deixo esta contida nesse tutorial do E-voo sobre como fazer suas próprias rodas usando uma furadeira:
Furadeira torneando uma roda de aeromodelo - Tutorial do E-voo

12- Elásticos

Muito importante esta "ferramenta" (?!), considerada por mim a "segunda panaceia universal da mecânica" (lembra-se que a primeira é a fita adesiva). 

Brincadeiras a parte, o elástico é usado em qualquer lugar que requer pressão, principalmente para peças frágeis, porque usar um grampo em uma peça de balsa, as vezes não dá.

DICA: Usando um alicate de bico ou alicate universal é possível fazer um alicate de pressão, neste caso a pressão é proporcional a quantidade de elásticos usados

Elásticos usados para fazer um alicate de pressão


DICA: Elásticos substituem molas em máquinas ou mecanismo, igualmente a pressão é ajustada pela quantidade de elásticos, por exemplo, para tensionar um arco de corte de isopor.

Arco de corte para isopor - as barras verticais são articuladas

Elásticos usados para tensionar o fio do arco de corte


13- Multímetro



Mesmo os baratos vendidos em lojas de "1,99" é útil para checar a polaridade de uma bateria, ou mesmo testar sua tensão

Também é útil para checar curtos-circuitos ou fios abertos (partidos), defeitos muito comuns e que derrubam facilmente um aeromodelo

Como todo os aeromodelos/planadores R/C (mesmo os glow) usam ligações elétricas/eletrônicas este aparato de medição se faz muito necessário.