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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Amaciando motor O.S MAX BE (bio-ethanol)

Estou apresentando este humilde tutorial com o fito de ajudar de aeromodelistas que estão adquirindo motores O.S. MAX BE (bio-ethanol) e não encontram na internete muito material se suporte sobre amaciamento desses motores.
O.S MAX .55AX-BE (bio-ethanol)

Primeiras considerações:

Este pequeno tutorial é dedicado a novatos como eu, então vamos presumir que você não tem nenhuma experiência nesse assunto, então, se faz importante algumas ponderações:

a) Amaciar é uma tarefa para ser feita com tempo de sobra;
b) Com a mente voltada a tarefa e vazia de outras preocupações;
c) É para ser feito com calma e requer muita paciência e persistência;
d) Por pequenos erros/enganos pode não funcionar nas primeiras tentativas;
e) É melhor executado por apoio de uma pessoa;
f) Nenhum manual/tutorial, vídeo explicativo pode substituir completamente a experimentação, então há muito a aprender com a pratica;

Se você não for uma pessoa paciente, não gostar de passar raiva, for muito ocupado, ou sem tempo disponível, talvez deva estudar a possibilidade de pagar alguém com experiência para amaciá-lo para você.

Lembre-se que o hobby é para diverti-lo e não para irritá-lo mais.
Divirta-se não se irrite com o aeromodelismo


Mas se gosta de desafios, gosta de tarefas DIY (faça você mesmo) e não se importa em "perder tempo" para aprender algo novo, então valerá a pena continuar. 

Prólogo - Conhecimentos básicos:


b) O que é amaciar um motor?

Amaciar são os processos que permitem que as partes móveis de um motor se ajustem visando prolongar a vida útil e o correto funcionamento de um motor novo. 

b) Geometria da camisa do pistão do O.S MAX BE:
Geometria do motor O.S MAX AX-BE - camisa cônica
A camisa é cônica (tipo ABC, pistão de Alumínio, cilindro de Brass ou latão e superfícies de Cromo), então este motor não pode ser amaciado completamente frio, para que a camisa se ajuste é preciso que ele esteja quente.

Isto quer dizer que o motor é muito duro para girar quando chega ao curso final superior, é óbvio que depois de amaciado esta característica diminui embora nunca fique completamente amacio naquele ponto. 

c) Posição correta da hélice

Isto é muito importante, se você for dar partida à mão. A hélice tem que ser instalada de tal forma  que quando o curso final superior do pistão (o ponto que há resistência para girar o virabrequim) é alcançado a hélice deve estar na posição do ponteiro pequeno do relógio como se estivesse às 2 horas, tal posição facilita bater manualmente o motor para pô-lo em funcionamento.

Veja a foto abaixo:
Imagem mostra a posição correta da hélice para dar partida (às 2h) - A partir desse ponto há uma certa resistência ao giro.

Se for usar stater elétrico como sugerido no manual acho que tal preocupação seja desnecessária.

d) Agulha de alta rotação

Controles da mistura dos motores O.S MAX AX-BE
O único ajuste que é necessário fazer ao amaciar o motor é na agulha de alta rotação, abrindo e fechando para pôr o motor em regimes de funcionamentos diferentes (quatro e dois tempos) e para enriquecer e empobrecer a mistura, o que diminui e aumenta a rotação máxima, esfriar e aquecer o motor, então saber usá-la é essencial, treine com o motor desligado para não cometer erros no momento do amaciamento.

O termo "mistura" refere-se a quanto de combustível entra no carburador para misturar-se com o ar. O termo "pobre" refere-se a pouco combustível e "rico" para muito combustível que entra no carburador para se misturar a mesma medida de ar.

A agulha de alta rotação se aperta (fecha) como um parafuso padrão. 

1- O que é necessário dar partida/usar o motor glow (especialmente em motores O.S BE):

Para usar um motor glow é necessário ter alguns aparatos simples e indispensáveis. Quase tudo é muito óbvio, mas é bom passá-los em lista:

a) Acendedor de vela ou ni-starter: Usado para aquecer a vela no momento da partida no motor;
b) Starter elétrico ou um bastão para bater a hélice: usados para produzir o movimento inicial no motor no momento da partida;
c) Chave de vela: É a 5/16, a padrão da Hobbico serve. É usada para tirar e colocar a vela do cabeçote.
d) Bomba de combustível: Usado para abastecer e desabastecer o tanque de combustível do aeromodelo. Para motores BE é a bomba usada para metanol.
e) Filtro de combustível: Usado para reter alguma partícula ou impureza antes de chegar ao carburador e evita entupimentos.
f) Tubo de silicone: Usados como manqueiras de combustível e pressão no aeromodelo e usado na bomba de combustível.
g) Vela para O.S BE: Lembre-se que a vela é diferente das O.S para metanol.

2- Manual dos motores BE em português com possível erro

Está amplamente divulgado na internete, mas acho importante deixar o link para o manual em português: http://www.bioetanolfuel.com.br/Manual/Manuais_OS-BE_35_55_75_120.pdf

Como qualquer manual, tem informações de menos, é um pouco confuso, mas leiam o manual, porque, mesmo assim ele possui informações importantes!

Com todo o respeito aos redatores do manual, mas acho que ele tem pelo menos uma impropriedade ou erro importante que dificultou muito nossas vidas de novatos (Hércules e eu).

Não tenho certeza se é um erro ou uma pequena confusão, mas deixou ao meu sobrinho e eu muito atrapalhados, mesmo lendo e relendo o manual e tentando segui-lo precisamente.

O erro ou a confusão está na página 30, item 3, refere-se a tabela de posições de fábrica da agulha de alta:
Cerca de 3,5 voltas (35BE e 55BE)

3 voltas e meia (55BE, o motor que nós amaciamos) é por demais "podre", pelo menos para meu .55BE. O nosso O.S BE hoje com o motor já amaciado e funcionando que é uma maravilha está  com 4 voltas, meia volta mais rico!

O que me levou a pensar que seria um erro no manaul foi a afirmação que segue no segundo parágrafo da página 31:
"A regulagem de fábrica assegura mistura rica", seriam 3 voltas e meia a partir da agulha toda fechada para o 55BE, mas regulado assim o motor apitava, esquentava e apagava em 30 segundos, bom pelo menos o nosso! Estávamos na época usando o combustível comercial para amaciá-lo.

ME INDAGO: Será que há alguma coisa errada com meu .55BE??? Que o faz funcionar com a mistura mais pobre do que o normal??? Se o seu motor .55BE ficar com a mistura rica com 3,5 voltas na agulha de alta, por favor, me informe por email (está em "Quem sou eu") para acrescentar esta informação aqui.

IMPORTANTE: Para conseguir a tal "mistura rica" no meu .55BE, depois de passar muita raiva, achar que tinha estragado o motor, pensado que o motor estava com defeito, eu fui abrindo a agulha até chegar a 6 voltas, então o motor funcionou de forma estável em "regime de quatro tempos".

Será que eu entendi algo errado? Abaixo tem um vídeo tutorial muito bom do usuário cjsninojr, na verdade o vídeo tutorial tão simples e didático que praticamente dispensa o trabalho que subscrevo, naquele vídeo ele repete o mesmo valor, mas no vídeo propriamente dito quando o motor é ligado está funcionando bem "gordo" (termo comum no campo, igual a mistura rica) e em "quatro tempos".

Meu conselho é USE A REGULAGEM APONTADO NO MANUAL PRIMEIRO, MAS fique atento ao som do motor, ao ligar ele deve ter este som:

É bom treinar o ouvido, então ouça várias vezes. Regule a agulha (abra) até chegar a este ponto.

Como treinamento escute, também, o som de "dois tempos" do motor quando a agulha de alta está mais fechada:



3- O amaciamento

Pensei em fazer um vídeo tutorial mostrando o processo, mas encontrei este ótimo no Youtube do usuário cjsninojr:

O autor está de parabéns pela iniciativa.


O processo todo é, resumidamente, dar partida no motor com a mistura muito rica e som de "quatro tempo" e deixá-lo assim por 1 minuto, depois fechar a agulha até o som ficar de "dois tempo" por 10 segundos, abrir a agulha para voltar ao som de "quatro tempo" por mais 10 segundos e assim por diante até o tanque acabar (página 33, item 2 do manual).

O que posso acrescentar que é bom ter alguém para cantar o tempo de mudança dos regimes de quatro para dois tempos e vice e versa. O processo todo demora bem mais tempo do que mostrado no vídeo, tudo deve demorar uns 10 minutos (o motor com mistura rica gasta bem mais combustível).

O motor demora meio segundo para responder ao ajuste da agulha, então feche/abra meia volta e espere o resultado, depois se percebe o ponto certo de cada mudança ("quatro" ou "dois tempos") e ficará fácil.

O que fiz a mais, mas foi da minha cabeça e não dou garantias, foi repetir com mais dois tanques esta última parte do processo de trocar os regimes de quatro para dois tempo a cada 10 segundos, mas pensando como o motor foi concebido para funcionar melhor em voo, isto deve ter sido desnecessário.

Para finalizar o amaciamento, já pronto para voo, deve dar partida no motor, empobrecer a mistura até chegar ao regime "dois tempos", mas sem exageros, quer dizer, a mistura deve continuar rica e a máxima rotação não deve ser alcançada (o fenômeno conhecido por "apitar" não deve acontecer) fazer alguns vôos assim e sem levantar muito o bico do modelo em voo (isto empobrece a mistura), e ir fechando um pouco (1/8 de volta) por voo para alcançar a potência máxima.
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Ultima observação: Requer paciência, mas dá para amaciar sem starter elétrico, batendo na mão mesmo.

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Bom amaciamento e excelentes vôos.


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Fazendo combustível para motores O.S. BE (bio-ethanol) - parte II


Continuando o artigo sobre como fazer combustível para motores O.S. bio-ethanol, destacando que o "bio" é óbvio, pois o álcool etílico é feito de cana-de-açúcar.


Bio-Ethanol - combustível comercial
OS MAX .55 AX-BE
1- Como foi  a experiência de usar um combustível caseiro:

Quero compartilhar minha experiencia com o combustível "feito em casa" para este excelente e econômico motor O.S. MAX BE, FOI EXCELENTE! Não pude notar qualquer diferença entre o combustível comercial (de excelente qualidade, isto é inegável) e o made by Rivaldo Voador. O motor mostrou a mesma potência, torque, rotação, confiabilidade e economia, também, mostrou os mesmos problemas, ou melhor, as mesmas peculiaridades em relação a gostar de rodar um pouco "gordo", não gostar de "pegar" quando o motor está muito quente e "apitar" menos na hora de regular a mistura, quer dizer, se ficar muito pobre a mistura o motor começa a variar a aceleração e morre. Neste caso quando se mede a temperatura passa dos 90º C e não pega até ficar morno novamente.

Resumindo: Depois de quase seis meses de uso do combustível "feito em casa", usando a receita dada pela própria distribuída do combustível comercial e usando os produtos da qualidade recomendada, não dá para perceber diferença no desempenho do motor entre o combustível comercial e o caseiro.

2- Onde comprar na Região Metropolitana do Rio de Janeiro:

Os dois produtos químicos necessários para preparar o combustível são vendidos da Distribuidora de Produtos Químicos São Lázaro, situada na Rua Conde Agrolongo, 1092 - Penha, Rio de Janeiro - RJ, telefone: (21) 3592-6774. Para acessar o sítio eletrônico (clique aqui), mas não há muitas informações no sítio eletrônico, além da lista de produtos e o contato por formulário/email.

Para comprar é necessário fazer um cadastro na loja, é necessário apresentar o CPFCarteira de identidade, um comprovante de residência (se não me engano) e eles pedem o número do BRAmas não o exigem, então leve estes documentos. Nas próximas vezes basta se identificar para comprar.

Abaixo a localização no Google Maps da Loja:

Exibir mapa ampliado

3- O que comprar:

Para preparar o combustível, é importante ter alguns aparatos simples de química como uma provetacopo de Becker e um funil. Podem ser comuns e feitos de plásticos, poderíamos fazer o combustível sem eles, mas tê-los facilita muito e podem ser adquiridos na própria loja e são baratos.

É lógico que deve ser adquirido o álcool absoluto (99,5%) que é vendido em embalagens de 5 litros (custa ~R$ 5,00 o litro) e o óleo de rícino, que na loja é chamado de óleo de mamona, que é a mesma coisa, é vendido em embalagens de 1 litro (custa ~R$ 15,00 o litro). Importante ressalva que deve ser feita é que o óleo vendido lá NÃO É o óleo de rícino purificado para analise ou PA. O óleo tem cheiro muito forte, mas não parece  com o cheiro de óleo de rícino que sobra na queima nos motores, mas apesar disso é  cristalino. 

Li em alguns fóruns de discussões que este óleo é bom o suficiente para usar. E usar um óleo para PA seria considerado um exagero, todos do meu clube, que fazem combustível caseiro usam este óleo com diversas marcas de motores sem reclamações.

Li, também, em fóruns que alguns filtravam com dois filtros de papel para coar café o óleo de mamona antes de misturar ao álcool para reter impurezas invisíveis a olho nu, o que segundo quem postouaumentaria a qualidade do óleo.


4- Passos para preparar o combustível:


É muito simples preparar o combustível basta seguir alguns passos e prestar atenção em algumas coisas. Sequer as substâncias são tóxicas, o álcool não deve ser bebido, mas não é venenoso. O rícino do óleo de mamona é destruído no processo de produção, então, também, não é venenoso, não beba, pois deve dar diarreia, evite coçar os olhos, pois dá uma pequena coceira, mas como qualquer substância química deve-se ter cautela. Há risco sério de incêndio. NÃO FUMEM PERTO!

a- Coar o óleo de mamona

Se você, como eu, acreditar nas tais partículas invisíveis no óleo de mamona não purificado ou querer seguir os mesmo passos que eu faça o seguinte: 

Use o copo de Becker:
Copo de Becker

E um suporte para filtro de café grande comprado em qualquer supermercado:

Suporte de filtro de papel para café - grande

Ponha dois filtros de papel no suporte e acomode o suporte no copo de Becker de modo seguro e despeje devagar o óleo que é relativamente viscoso dentro do filtro até enchê-lo. Isto é um exercício de paciência, pois demora de dois a três dias para coar 1 litro de óleo, mas para coar uns 100 ml o suficiente para fazer 1,1 litro de combustível deve levar só umas quatro a seis horas, o que dará para fazer uns bons vôos.  

b- O quanto fazer de combustível por vez:

Um conselho, não faça mais combustível do que necessário para voar em um ou dois finais de semana, pois a umidade do ar degrada o combustível, como ficamos abrindo e fechando a garrafa de combustível no campo em condições adversas isto o contamina invariavelmente com água, é lógico que em um dia isto não fará mal, mas em vários dias causaria impacto na qualidade do combustível, então NÃO FAÇA 5 LITROS de combustível e leve ao campo. Talvez o tal antioxidante do combustível comercial faça falta, se você acreditar que isto seja verdade.

Também, um importante argumento é que da primeira vez que fizer o combustível você pode errar algo, se estragar um litro de combustível sobrara mais quatro para tentar.

c- Como preparar o combustível

Relembrando a receita 1 parte de óleo de rícino para 10 partes de álcool absoluto (99,5%).


INFORMAÇÃO ADICIONADA EM 17/04/2012:
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DICA IMPORTANTE DO MOURA, experiente aeromodelista e que faz combustível há muito anos: a receita correta seria 1 parte de óleo de rícino para 9 partes de álcool absoluto, isto faria que a razão entre óleo/álcool ficasse exatamente 10 e 90%, respectivamente. Usando a receita que uso, a razão seria de 9.1% de óleo para 90.9% de álcool.

Segundo ele, a porcentagem correta de óleo para combustível etanol é 10%.

A receita dele é correta e segura, porém, muito conservadora. É sabido que os atuais motores são construídos a partir de uma metalurgia muito superior aos motores da época dos nossos pais e avós, de modo que os atuais motores suportam uma menor lubrificação sem maiores problemas.

A dica do Moura não deve ser desmerecida, nem eu a desmereço, é tanto que estou a incluindo aqui com destaque, mas acho para mim a minha receita está funcionando muito. Então use seu critério para decidir.

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Então usando a proveta, pois é mais fácil de visualizar e dosar e  não sujará o álcool (veja o texto abaixo), mas pode ser usado o próprio copo de Becker:

Proveta - melhor que seja de pelo 500 ml

Usando o funil posto dentro da proveta despeje devagar (senão entorna tudo!) o álcool até a marca desejada, por exemplo, 500 ml, ponha numa mesa para ver a marca com precisão (a proveta funciona com um nível de pedreiro) se tiver passado um pouco da marca desejada, despeje com a própria proveta de volta no recipiente de álcool (por isto é bom começar pelo álcool e usar a proveta para não sujá-lo com óleo). Ponha o álcool medido no vasilhame de combustível que você levará ao campo com ajuda do funil. Repita tantas vezes quanto for necessário para completar o combustível que você quiser fazer, por exemplo, se for fazer um mais ou menos um 1 litro, serão duas vezes, se for fazer  ~1,5 litro, serão três vezes. Lembrando que sempre dará um pouco mais de combustível, pois entrará mais uma parte de óleo para cada 10 partes de álcool.

Depois usando o copo de Becker para não misturar o álcool com o óleo, caso seja necessário despejar de volta ao recipiente o óleo, se você passar um pouco da marca desejada, ponha a décima parte do que pôs de álcool, por exemplo, para um 1 litro de álcool, meça 100 ml de óleo, ou para 1,5 litro de álcool meça 150 ml de óleo e despeje no vasilhame de combustível que levará ao campo. Mexa um pouco, você perceberá que o óleo de mamona se dissolverá muito bem ao álcool e não decantará, bom eu não consegui perceber isto e o próprio movimento da viajam ao campo de voo deve remisturar muito bem o combustível.

O COMBUSTÍVEL ESTARÁ PRONTO!

d- Tingir o combustível

O combustível fica praticamente incolor, então fica difícil enxergá-lo na mangueira do motor, então para tingir o combustível é muito fácil, pegue celofane colorido, destes vendidos em papelaria, corte um pedaço do tamanho da metade de uma folha de papel e ponha dentro do combustível balance um pouco e tire o plástico e estará tingido.

sábado, 27 de agosto de 2011

Fazendo combustível para motores O.S. BE (bio-ethanol)


Continuando o artigo sobre como fazer combustível para motores O.S. bio-ethanol, destacando que o "bio" é óbvio, pois o álcool etílico é feito de cana-de-açúcar.

Bio-Ethanol - combustível comercial 


O.S MAX .55 AX-BE

1- Como foi a experiência de usar um combustível caseiro:


Quero compartilhar minha experiencia com o combustível "feito em casa" para este excelente e econômico motor O.S. MAX BE, FOI EXCELENTE! Não pude notar qualquer diferença entre o combustível comercial (de excelente qualidade, isto é inegável) e o made by Rivaldo Voador. O motor mostrou a mesma potência, torque, rotação, confiabilidade e economia, também, mostrou os mesmos problemas, ou melhor, as mesmas peculiaridades em relação a gostar de rodar um pouco "gordo", não gostar de "pegar" quando o motor está muito quente e "apitar" menos na hora de regular a mistura, quer dizer, se ficar muito pobre a mistura o motor começa a variar a aceleração e morre. Neste caso quando se mede a temperatura passa dos 90º C e não pega até ficar morno novamente.


Resumindo: Depois de quase seis meses de uso do combustível "feito em casa", usando a receita dada pela própria distribuída do combustível comercial e usando os produtos da qualidade recomendada, não dá para perceber diferença no desempenho do motor entre o combustível comercial e o caseiro.



2- Onde comprar na Região Metropolitana do Rio de Janeiro:


Os dois produtos químicos necessários para preparar o combustível são vendidos da Distribuidora de Produtos Químicos São Lázaro, situada na Rua Conde Agrolongo, 1092 - Penha, Rio de Janeiro - RJ, telefone: (21) 3592-6774. Para acessar o sítio eletrônico (clique aqui), mas não há muitas informações no sítio eletrônico, além da lista de produtos e o contato por formulário/email.

Para comprar é necessário fazer um cadastro na loja, é necessário apresentar o CPF, Carteira de identidade, um comprovante de residência (se não me engano) e eles pedem o número do BRA, mas não o exigem, então leve estes documentos. Nas próximas vezes basta se identificar para comprar.
Abaixo a localização no Google Maps da Loja:

Exibir mapa ampliado

3- O que comprar:


Para preparar o combustível, é importante ter alguns aparatos simples de química como uma proveta, copo de Becker e um funil. Podem ser comuns e feitos de plásticos, poderíamos fazer o combustível sem eles, mas tê-los facilita muito e podem ser adquiridos na própria loja e são baratos.


É lógico, que deve ser adquirido o álcool absoluto (99,5%) que é vendido em embalagens de 5 litros (custa ~R$ 5,00 o litro) e o óleo de rícino, que na loja é chamado de óleo de mamona, que é a mesma coisa, é vendido em embalagens de 1 litro (custa ~R$ 15,00 o litro). Importante ressalva que deve ser feita é que o óleo vendido lá NÃO É o óleo de rícino purificado para analise ou PA. O óleo tem cheiro muito forte, mas não parece com o cheiro de óleo de rícino que sobra na queima nos motores, mas apesar disso é cristalino. 


Li em alguns fóruns de discussões que este óleo é bom o suficiente para usar. E usar um óleo para PA seria considerado um exagero, todos do meu clube, que fazem combustível caseiro usam este óleo com diversas marcas de motores sem reclamações.


Li, também, em fóruns que alguns filtravam com dois filtros de papel para coar café o óleo de mamona antes de misturar ao álcool para reter impurezas invisíveis a olho nu, o que segundo quem postou aumentaria a qualidade do óleo.


4- Passos para preparar o combustível:


É muito simples preparar o combustível basta seguir alguns passos e prestar atenção em algumas coisas. Sequer as substâncias são tóxicas, o álcool não deve ser bebido, mas não é venenoso. O rícino do óleo de mamona é destruído no processo de produção, então, também, não é venenoso, não beba, pois deve dar diarreia, evite coçar os olhos, pois dá uma pequena coceira, mas como qualquer substância química deve-se ter cautela. Há risco sério de incêndio. NÃO FUMEM PERTO!


a- Coar o óleo de mamona


Se você, como eu, acreditar nas tais partículas invisíveis no óleo de mamona não purificado ou querer seguir os mesmo passos que eu faça o seguinte: 

Use o copo de Becker:
Copo de Becker

E um suporte para filtro de café grande comprado em qualquer supermercado:
Suporte de filtro de papel para café - grande

Ponha dois filtros de papel no suporte e acomode o suporte no copo de Becker de modo seguro e despeje devagar o óleo que é relativamente viscoso dentro do filtro até enchê-lo. Isto é um exercício de paciência, pois demora de dois a três dias para coar 1 litro de óleo, mas para coar uns 100 ml o suficiente para fazer 1,1 litro de combustível deve levar só umas quatro a seis horas, o que dará para fazer uns bons vôos. 

b- O quanto fazer de combustível por vez:


Um conselho, não faça mais combustível do que necessário para voar em um ou dois finais de semana, pois a umidade do ar degrada o combustível, como ficamos abrindo e fechando a garrafa de combustível no campo em condições adversas isto o contamina invariavelmente com água, é lógico que em um dia isto não fará mal, mas em vários dias causaria impacto na qualidade do combustível, então NÃO FAÇA 5 LITROS de combustível e leve ao campo. Talvez o tal antioxidante do combustível comercial faça falta, se você acreditar que isto seja verdade.

Também, um importante argumento é que da primeira vez que fizer o combustível você pode errar algo, se estragar um litro de combustível sobrara mais quatro para tentar.


c- Como preparar o combustível

Relembrando a receita 1 parte de óleo de rícino para 10 partes de álcool absoluto (99,5%).

INFORMAÇÃO ADICIONADA EM 17/04/2012:
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IMPORTANTE DICA DADA PELO MOURA, experiente aeromodelista e que faz combustível há muito anos, segundo ele o combustível deve ser feito a razão de 1 parte de óleo de rícino para 9 partes de álcool anidro, quer dizer, para fazer 1000 ml de combustível, deveria se misturar 100 ml de óleo a 900 ml de álcool. A diferença entre a receita que ele aconselha e a receita que ue uso é que a mistura dele ficaria exatamente 10% de óleo para 90%  de álcool. Segundo minha receita ficaria  9.1% de óleo para 90.9% de álcool. 

Finalmente, ele afirmou que a razão de 10% de óleo seria o correto para este combustível. Acho que a receita do Moura é correta e segura, porém, muito conservadora. É sabido que os atuais motores são produzidos a partir de uma metalurgia superior em comparação aos motores da época dos nossos pais e dos nossos avôs, de modo que os atuais motores aguentam uma menor lubrificação sem problemas. 

Não acho que deve ser desmerecida a opinião do Moura, nem eu mesmo a desmereço, pelo contrário até alterei meu post para acrescentá-la. Só que usando a minha receita atual, estou muito satisfeito. Use seu próprio critério para escolher.

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Então usando a proveta, pois é mais fácil de visualizar e dosar e não sujará o álcool (veja o texto abaixo), mas pode ser usado o próprio copo de Becker:

Proveta - melhor que seja de pelo menos 500 ml

Usando o funil posto dentro da proveta despeje devagar (senão entorna tudo!) o álcool até a marca desejada, por exemplo, 500 ml, ponha numa mesa para ver a marca com precisão (a proveta funciona com um nível de pedreiro) se tiver passado um pouco da marca desejada, despeje com a própria proveta de volta no recipiente de álcool (por isto é bom começar pelo álcool e usar a proveta para não sujá-lo com óleo). Ponha o álcool medido no vasilhame de combustível que você levará ao campo com ajuda do funil. Repita tantas vezes quanto for necessário para completar o combustível que você quiser fazer, por exemplo, se for fazer um mais ou menos um 1 litro, serão duas vezes, se for fazer ~1,5 litro, serão três vezes. Lembrando que sempre dará um pouco mais de combustível, pois entrará mais uma parte de óleo para cada 10 partes de álcool.

Depois usando o copo de Becker para não misturar o álcool com o óleo, caso seja necessário despejar de volta ao recipiente o óleo, se você passar um pouco da marca desejada, ponha a décima parte do que pôs de álcool, por exemplo, para um 1 litro de álcool, meça 100 ml de óleo, ou para 1,5 litro de álcool meça 150 ml de óleo e despeje no vasilhame de combustível que levará ao campo. Mexa um pouco, você perceberá que o óleo de mamona se dissolverá muito bem ao álcool e não decantará, bom eu não consegui perceber isto e o próprio movimento da viajam ao campo de voo deve remisturar muito bem o combustível.


O COMBUSTÍVEL ESTARÁ PRONTO!


d- Tingir o combustível


O combustível fica praticamente incolor, então fica difícil enxergá-lo na mangueira do motor, então para tingir o combustível é muito fácil, pegue celofane colorido, destes vendidos em papelaria, corte um pedaço do tamanho da metade de uma folha de papel e ponha dentro do combustível balance um pouco e tire o plástico e estará tingido.